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domingo, 31 de janeiro de 2010

RELAÇÕES E DESCONEXÕES... olhando para a escuridão...


 (Por: Gisleia Menezes)

Há uma tempestade em meu ser... sinto uma ventania passear pelo interior do meu corpo, enveredando pelos entroncamentos de veias e penetrando nos poros nervosos e tensos...

Há um redemoinho em movimento no centro da alma...

Há uma enchente veloz no meio do pensamento...

De repente percebe-se a insignificância da sombra...

De repente percebe-se o inconveniente da umidade da pele, das gotas de suor pelas pernas e braços.

Sem querer, sente-se a ineficácia do olhar sem visão...
do fôlego sem aspiração...
do toque sem sensação...

O caminhar do ponteiro marca o cansaço chegando... desperta a ilusão que brota e grita no correr do dia.

As ondas que encharcam a face moída..
salgam o sorriso abatido...
trazem garrafas mensageiras...
com escritas na testa franzida.

Um furacão muda a paisagem, arrastando consigo o sabor natural do orvalho e deixando as cinzas das queimadas imaginárias e fúteis.

O cenário se quebra e deixa marcas de palavras pesadas...
e sobras de palavras não ditas.

As pessoas não se conhecem e a linguagem corporal nada mais é que uma matéria de escola.

Os olhares não se cruzam e as energias não se diluem, nem se encontram.

As mãos não se buscam e as pernas não se juntam.

As portas das casas definem territórios indivisíveis e as paredes servem para separar sentimentos.

Sou um tornado agitado em meio ao deserto sem folhas, galhos ou frutos... que me sustentem...

Sou nuvem pesada, agitada pelo temporal e jogada ao caminho sem lugar para cair.

Sou estrela em céu claro...

Sou a natureza indefinida nesse mundo imperfeito...

Os raios iluminam meu ser e vejo:
... NADA.


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