Há uma tempestade em meu ser... sinto uma ventania passear pelo interior do meu corpo, enveredando pelos entroncamentos de veias e penetrando nos poros nervosos e tensos...
Há um redemoinho em movimento no centro da alma...
Há uma enchente veloz no meio do pensamento...
De repente percebe-se a insignificância da sombra...
De repente percebe-se o inconveniente da umidade da pele, das gotas de suor pelas pernas e braços.
Sem querer, sente-se a ineficácia do olhar sem visão...
do fôlego sem aspiração...
do toque sem sensação...
O caminhar do ponteiro marca o cansaço chegando... desperta a ilusão que brota e grita no correr do dia.
As ondas que encharcam a face moída..
salgam o sorriso abatido...
trazem garrafas mensageiras...
com escritas na testa franzida.
Um furacão muda a paisagem, arrastando consigo o sabor natural do orvalho e deixando as cinzas das queimadas imaginárias e fúteis.
O cenário se quebra e deixa marcas de palavras pesadas...
e sobras de palavras não ditas.
As pessoas não se conhecem e a linguagem corporal nada mais é que uma matéria de escola.
Os olhares não se cruzam e as energias não se diluem, nem se encontram.
As mãos não se buscam e as pernas não se juntam.
As portas das casas definem territórios indivisíveis e as paredes servem para separar sentimentos.
Sou um tornado agitado em meio ao deserto sem folhas, galhos ou frutos... que me sustentem...
Sou nuvem pesada, agitada pelo temporal e jogada ao caminho sem lugar para cair.
Sou estrela em céu claro...
Sou a natureza indefinida nesse mundo imperfeito...
Os raios iluminam meu ser e vejo:
... NADA.
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