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domingo, 28 de novembro de 2010

Bipolariando - parte I


CURIOSA REFLEXÃO: estou transparente


A necessidade de buscar mais informações levou-me a fazer pesquisas acerca da bipolaridade. E nessa caminhada, venho sofrendo rompantes de descobertas que me causam surpresas e estarrecimento.

Os elementos encontrados até agora já são suficientes para eu concluir que, de fato, não conhecia (e tampouco ainda conheço) a realidade do que é.

E não sei o que é na medida em que, o que eu pensava que era, também nunca foi.

As atitudes que eu considerava peculiares e inerentes às minhas características pessoais, num repente soam como visões distorcidas por mentes corrompidas. No caso, a minha.

A vida, da forma como a conheci, transfigura-se em cenas de uma peça teatral só minha, como se a platéia nunca tivesse entendido meus atos dentro de textos que sempre foram conhecidos por todos, mas cujos contextos eram exclusivamente meus.

“O grande segredo da doença é aceitá-la e saber lidar com ela”, disse a Dra. Liliana Pellegrini (em algum dos sites que visitei na minha ânsia em me descobrir, cujo não me lembro agora).

Percebo que, apesar de assumir a condição de bipolar, na forma teórica, nunca havia me empenhado em analisá-la na prática.

E agora, quando movida pela necessidade premente e de forma desenfreada, parto em busca dessa “realidade” com a qual tenho que me relacionar, deparo-me com um impasse qualquer. Um “empacamento”.

O que se me revela é assustador, pois se apresenta com vontade própria, manipulador e indomável.

Curioso que, neste momento da minha vida, estou investida de um propósito desafiador, qual seja: investir na aquisição de ferramentas que me auxiliem a desenvolver o caráter de Cristo, a utilizar a inteligência emocional em todas as áreas e, por conseqüência, a me relacionar bem.

Porém, sequer imaginei que nessa tão árdua empreitada encontraria, no âmbito pessoal - em e dentro da minha privacidade, algo tão grande, tão negativo e tão prejudicial ao intento.

Sinto que ainda fujo de mim a maior parte do tempo, pois o pouco que já revelei e expus à análise foi o suficiente para me envergonhar e amedrontar.

Tenho chorado diante de Deus e colocado a seus pés o meu coração sujo; as minhas lágrimas hipócritas; a covardia, rebeldia, infidelidade e falta de caráter que impregnam minha alma.

Não tenho conseguido mais que isso.

Ao olhar para trás, fico estarrecida com a quantidade de situações em que minhas atitudes foram dominadas por esse algo maior que eu, e que estava no domínio da situação. Por ocasião das respectivas ocorrências, contudo, concluía que meus atos eram uma resposta natural ao instinto de sobrevivência que normalmente nos sobrepuja em força e coragem, quando nos sentimos desafiados ou ameaçados.

Quantas reações foram motivo de orgulho incalculável.
E quantas outras, de vergonha inimaginável.
No entanto, sempre sobrevivente.

Então as alegrias eram eufóricas, pois os altos e baixos da própria vida me faziam usufruir com tanta intensidade quanto eu pudesse, de cada detalhe, cada momento de prazer; pois, poderiam se dissipar em segundos, para não mais voltar.

E por caminhos diferentes, mas não menos intensos, as tristezas eram de morte, pois a sobrevida era solitária, pesada, cheia de rancor e sofrimento. Desse modo, vivia a intensidade dessas sensações como se não fosse sobreviver à dor e às decepções.

Assim eu caminhava, e caminhei, até que,..
Praticamente agora...
Emerge de dentro de algum lugar escondido em meus poros e se transfigura diante de mim, um desconhecido.
E não é um instinto de sobrevivência.
Sim, um oportunista que tem preenchido meu ego e minha alma - esta, já corrompida em sua própria miséria egoísta e orgulhosa – e, na mesma toada, estraçalhado o coração carente e machucado que me habita o peito.

Isso não é poema.
Isso não é poesia.
“Isso”, sou eu.
Um alguém cuja existência ignorava e que me foi apresentado em um consultório psiquiátrico.
Um “eu” que brigou comigo dentro de uma clínica de tratamento e que tentou manter o controle a todo custo, desprezando o estrago e a dor que causa por onde passa.

Hoje eu não estou no espelho, pois ele não reconhece a de outrora e tampouco vislumbra a que há de vir.




Hoje estou transparente.
(Gi - eu)

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