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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

1. O parto - vem à tona o diagnóstico: transtorno bipolar

Sem ser diferente de qualquer pessoa, vivia e agia de forma diferente em todo o tempo, como se diferente fosse.


Viver com a bipolaridade distorceu, por um longo tempo, a minha forma de ver a vida.

E descobrir isso, - depois da minha infância corrompida, da minha adolescência interrompida, da minha juventude maculada e da minha vida adulta estar destroçada e meus familiares e amigos cheios de dores, frustrações e rancores -, distorceu a minha vontade de viver a própria vida.

Então, pelo agir do Espírito Santo de Deus, a paixão que arrebentou bem lá no fundo, não foi aquela que eu conhecia nos meus ímpetos de euforia e felicidade, mas a paixão ardente e manchada de sangue que nos derruba de joelhos. A paixão que nos tira o sono e nos deixa com as pálpebras inchadas de tanto chorar, o peito a estufar em prantos, clamando pela presença e misericórdia daquele que morreu por nós. Aquele que me amou primeiro e que, durante todo este tempo, poupou minha vida e esperou, com paciência, que eu olhasse para cima e visse seus olhos grudados nos meus, também apaixonados.

E a dor que explodiu dentro de mim, também não foi qualquer uma das que me acometera em meus momentos de tristeza profunda e de sentimentos de morte por qualquer coisa na vida, mas sim a dor da própria morte, a dor do pecado, ao ponto de ouvir gritar a minha alma, pelas vezes em que virei as costas para o Único que me oferecia descanso. A dor que trespassava como agulha cada centímetro da minha pele, lembrando a rebeldia dos músculos, dos choques nas mãos, da eletricidade dos nervos e do batimento descontrolado e acelerado do coração. A dor que revelava o corpo indomável, transtornado pela bipolaridade.

E foi Deus, em sua eterna soberania e compaixão, que, em um momento em que eu me tornei pequena para tudo aquilo que habitava cada poro do meu corpo e que latejava nas minhas têmporas, escancarou e trouxe à tona toda a verdade. Verdade esta que, sem querer ser redundante, mas já sendo, revelou, além de mim mesmo (ou o que não era eu, dentro de mim), muitas outras mentiras: falsas amizades, falsos ombros, falsas palavras, falsos sentimentos e muita..., muita frieza, insensibilidade e, por que não dizer, muita maldade, entre aqueles de quem eu esperava cuidado, amor e atenção.

E a verdade seja dita: só Deus nos faz ver o que não queremos para enxergarmos a cura de que precisamos.

Até então, o filme da minha vida era uma história pré-concebida e cultivada pela minha mente em todos os sentidos. E tudo o que eu vivia era sempre intenso, inequívoco, sufocante, profundo, arrebatador e completamente impossível de se não aperceber. Era como se eu fosse a própria vida que me ocupava, sem brechas para qualquer interferência externa, que não aquela que eu mesma abraçava, comia, degustava e devorava com todas as minhas forças.

E então, como num piscar de olhos, num passe de mágica, toda a vida, como eu a conhecia, desabou diante de mim.

Sumiu e deixou um buraco em seu lugar.

Só me restava aprender a caminhar, do início, passo a passo, em direção ao equilíbrio, olhando a vida como ela é.

Deus tem me sustentado, desde então, preenchendo este vácuo e me auxiliando na caminhada em direção ao alvo, ao que faz sentido. Aliás, tem me sustentado como sempre esteve, ainda que, antes, eu não me dispusesse a reconhecer tal coisa e a receber sua ajuda para alcançar um dos frutos do Espírito: o domínio próprio.

Procurando agir com sabedoria e, sempre, procurando a orientação de Deus, já me expus a alguns tratamentos específicos, acompanhamento terapêutico e, quotidianamente, mantenho uma medicação que varia conforme a minha rotina.

Graças a Deus estou convivendo bem, coletivamente e familiar.

Reconstruindo minha saúde, meu espaço, meu tempo e meus relacionamentos, Deus tem desvendado verdadeiras e riquíssimas amizades, como aquelas que sobreviveram ao terremoto e ainda outras, que surgiram durante ele.

Nosso Senhor também restaurou um relacionamento que me era caro e agora, mais do que nunca, é um tesouro: Eu e o pai da minha filha nos casamos, pela segunda vez, depois de 15 anos divorciados.

Com a turbulência, as chagas vieram à tona e puderam ser tratadas.

Com o tratamento, pude perceber quão grande é o amor do Nosso Pai.

Com essa percepção, abriu-se para mim a constatação de que pessoas precisam de pessoas com sentimentos e abraços verdadeiros.

Assim nasceu este blog.

No momento em que reconheci que o transtorno bipolar não me faz uma pessoa diferente, mas me dá a oportunidade de fazer a diferença.

ACIMA DE TUDO: DEIXE DEUS FAZER A DIFERENÇA NA SUA VIDA.

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