Por esses dias deparei-me com uma entrevista feita com a neurocientista Suzana Herculano-Houzel e alguns trechos chamaram muito minha atenção, motivo pelo qual os transcrevo, literalmente:
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Existe alguma maneira de garantir um cérebro saudável e satisfeito?
O melhor exercício é fazer coisas variadas. Exigir da sua memória, da sua atenção, do seu raciocínio, da sua capacidade de linguagem, da sua capacidade de interagir socialmente com outras pessoas. Tudo isso é importante, quanto mais rica a sua vida, mais você está contribuindo para manter cada uma dessas capacidades do cérebro funcionando bem. Mas, se existe uma panaceia universal, o que chega mais perto disso é o exercício físico. Muita gente acha que não tem tempo, que tem coisa mais importante para fazer, mas o efeito é fisiológico. Seu cérebro muda por causa do exercício intenso e regular.
O que acontece?
Além de melhorar a atenção, a memória, a facilidade de aprendizado, o exercício protege contra os transtornos de humor. Ele é um estabilizador, porque faz com que todas as suas respostas de estresse, de ansiedade, fiquem mais tranquilas. E a autoconfiança que você ganha com qualquer tipo de esporte ou outra atividade se expande para outras áreas.
E o que acontece no cérebro quando estamos ansiosas, preocupadas, tensas?
A parte do cérebro que cuida de todas as suas preocupações recentes, isto é, aquela lista mental com as tarefas do dia, é o hipocampo. Essa lista fala diretamente com um alarme do cérebro que faz a gente ficar alerta, atenta, acordada. Mas, quando esse sistema está em “overdrive”, ou seja, quando seu hipocampo fica hiperativo, é como se você tivesse sua agenda eletrônica tocando o alarme o tempo todo.
Isso piora com a quantidade de estímulos que recebemos hoje em dia?
Sim. O cérebro em si não mudou nada. Mas acho que o problema maior é o potencial de ansiedade que isso gera quando você nota que poderia fazer uma série de coisas além do que está fazendo. Então, a lista mental de preocupações deixa você permanentemente angustiada e ansiosa. Mas isso pode mudar com o exercício físico. O efeito de fazer esporte é comparável ao de antidepressivos e ansiolíticos, com o benefício de que funciona também a longo prazo e não tem efeito colateral.
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Leia a entrevista completa:
Mulher Cabeça - A neurocientista Suzana Herculano explica o que acontece na nossa cabeça enquanto vivemos
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