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domingo, 29 de abril de 2012

Apatia: um estilo de sobrevivência

Demonstrar sentimentos.

Tento manter os pensamentos no ritmo da caneta, mas o que tenho dentro de mim é um redemoinho sem fim e a mão não dá conta do recado. 

Tenho por mim que a apatia deve ser exercida para manutenção da vida.

Entretanto, meu coração guarda amargos e ferozes ataques de sensações querendo sair.

E novamente creio que silenciar a voz da alma é necessário.

A boca, esse buraco na cara cheia de palavras, e os olhos marejados, demonstram minha fraqueza e a derrota do meu intento.

Quero gritar.
Quero estravazar os limites do bom senso.
Quero chutar o balde e fazer, na roda da vida, um giro extratosférico que possa levar a mil meu desengano. Quero ser eu com tudo o que carrego em meu desespero.
Quero fugir da apatia.
Quero o direito de sofrer soluçando, em vez de guardar na garganta essa bola que me engasga e me mata aos poucos (tudo bem que não tenho pressa).

Não quero me calar.

Contudo, a apatia não tem sido uma opção, mas uma imposição.

Então é o que me resta:

Um estilo de vida apático para não transgredir com a própria vida.

Gisleia

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