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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Mudanças, turbulências e o bipolar

A minha vida tem passado (e ainda está passando) por tantas mudanças nos últimos anos/meses, que já estou pensando em entrar para o ramo dos transportes.

Há uns 05 anos, após uma crise que me levou ao fundo do poço, veio o diagnóstico de Transtorno Bipolar do Humor. Deus já estava no meu coração e na minha vida, mas o sofrimento e a desilusão que me atingiram foram tão intensos que, por algumas vezes, me peguei "brigando" com Ele.

A recuperação da fase mais crítica e a leve brisa de tranquilidade que se instalou permitiram que eu me envolvesse com novos projetos e sonhos, de modo que mergulhei na vida e me "esqueci" da queda.

Em menos de 02 anos já havia realizado boa parte dos meus planos, vivendo em intimidade com Deus e nosso Salvador Jesus Cristo, certa de que meus caminhos estavam firmes e inabaláveis, longe de qualquer desequilíbrio emocional.

Qual não foi minha surpresa ao vir à tona a realidade nua e crua de que, absorta em meus projetos, tão empolgantes e densos, deixei de viver plenamente meu relacionamento com minha linda filha, amiga de todas as horas e vítima de todos os surtos. Esse vazio na vida dela serviu como argumento para preencher várias de suas carências.

A partir de então, os pés do Senhor tornaram-se meu local preferido e, diariamente, por um longo tempo, derramei ali as lágrimas que revelavam minha fraqueza como mãe, como pessoa e como serva do Altíssimo, Justo e Fiel.

Para arrematar, meus olhos também se desviaram dos Céus, como uma gota final que me levaria ao retiro completo.

Em uma tentativa de fuga, rompi com todos os vínculos, possíveis e imaginários.
Tranquei-me com as chaves das limitações geográficas e temporais.
Esqueci vozes e semblantes amigos.
Mantive lacradas todas as agendas e desligados todos os telefones.
Apaguei as luzes e tentei aprender a andar na penumbra.
Abstive-me da comunicação e da vida social.
Abdiquei de tudo que pudesse preencher minha mente, com o fito de mantê-la vazia e silenciosa.

Largar o despertador, a igreja, a pizzaria, o som dos carros, do rádio, da televisão, dos ambientes; as pressões, as ruas e calçadas conhecidas, a pressa, a convivência... largar tudo o que eu não conseguia absorver, administrar, conter e entender.

Graças ao meu Pai, que me escolheu no ventre de minha mãe... não larguei a vida.

E o "descarrego" ajudou a aliviar o peso, mas só o suficiente para conseguir levantar e mudar os pés de lugar, arrastando com ele o corpo e seu carregado e obscuro coração.

Após 01 ano exato, caminhando pelo deserto, revelou-se a mim, "translúcido" e "clarividente", que as mãos de Deus é o que me sustenta.

Que os projetos e sonhos só trazem satisfação e realização se forem os do coração de Deus.
Que intimidade com Jesus é muito mais que equilíbrio emocional, pois nossos caminhos nunca serão tão firmes e tampouco inabaláveis, enquanto estivermos nesta jornada.

A verdade é que nem as experiências indescritíveis e inescrutáveis com o Espírito Santo de Deus afastaram de mim as situações próprias àqueles que vivem aqui e agora.

A diferença é que caminhar com Deus nos proporciona um novo ânimo e um alento revigorante, capazes de nos direcionar para melhores escolhas, contribuindo para a vitória que nos espera.

E uma dessas escolhas que fizeram a diferença no meu deserto, foi a de procurar ajuda com uma profissional conceituada na área da psicologia - principalmente quando relacionada a traumas e transtornos.

Ainda aos tropeços, veio a oportunidade de investir na reconstrução da minha família, incluindo um novo casamento com o pai da minha filha.

As evidências demonstravam a necessidade de dispensarmos mais atenção e cuidados à minha saúde, porque tantas mudanças poderiam se converter em fatores estressores externos, preparando o terreno para uma eventual crise de transtorno de humor.

Assim, após 04 anos retomei o acompanhamento psiquiátrico e a medicação, fazendo do Cloridrato de Sertralina e do Depakote minhas companhias diárias.

E após 15 anos de separação, o pai da minha filha e eu nos casamos novamente, sob as bênçãos do nosso Bom Deus, Único e Capaz de nos manter unidos e firmes em nosso compromisso com Ele.
 
Apesar de disposto e conhecedor de algumas situações, meu esposo não tinha realmente qualquer ideia do que seria conviver comigo, atento ao tratamento do transtorno bipolar. E eu, obviamente, depois de tanto tempo compartilhando meus anseios com minha solidão (sofrendo e ferindo os mais próximos com minhas crises), também não estava completamente a par de como seria dividir (ou somar) espaços, quando a minha situação sozinha já me exigia tempo de reflexão e esforço extremos, a fim de manter o equilíbrio mínimo necessário à sobrevivência.

E com a chama de nossa fé acesa, este ano completamos 01 ano de casados (07, ao todo), felizes e em paz, graças a Deus.

De Cuiabá para Juína.
De Técnico Judiciário para Oficial de Justiça Avaliadora Federal (início de carreira enfrentando várias dificuldades, mas sempre amparada pelas mãos do Todo Poderoso).

A roda ainda está girando.


A partir de agosto, de Juína para Juara, com os anjos de Deus à frente, preparando o caminho.

Daqui a pouco, de Juara para Água Boa e, com fé em Deus, à residência fixa.

As mudanças trazem turbulências, eis que, por si só, são momentos de transição, de instabilidade, de incertezas, de ansiedade, de desatenção, de impaciência e, de quebra, de debates de ideias e decisões, proporcionando segurança na afinidade ou estresse na divergência.

Contudo, as mudanças também trazem conforto quando nos movemos em direção aos nossos entes queridos, à terra de onde guardamos saudades e à rotina que tanto nos instiga às vezes.

Mudar para mais perto do Pai, eis o que espero.
Mudar para melhor como mãe, esposa, profissional e Serva.
Mudar para adorá-Lo mais e mais, com todas as minhas forças.
Mudar para realizar Seus projetos, investindo meus dons e talentos.
Mudar para contribuir com a minha parte na Sua Missão.
Mudar para um mundo melhor, a começar pela minha casa.

(Depois de tantas mudanças...,
ainda penso que uma empresa de transportes seria um bom negócio :-)

E que venham as mudanças com suas turbulências..,
que eu as domino com meus Depakotes e Cloridratos de Sertralina, com as bençãos de Deus.

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